Se a sua operadora fosse auditada hoje, conseguiria provar que está em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)? Apesar de a lei já estar em vigor desde 2020, a LGPD na saúde ainda carrega falhas estruturais na proteção dos dados sensíveis.
Falhas que não nascem da má intenção, mas sim da complexidade da operação, da dificuldade de integrar sistemas e da urgência em manter a sustentabilidade financeira diante de reembolsos indevidos, glosas e baixa previsibilidade de caixa.
Tecnologia não é só suporte, é estrutura. Quando bem aplicada, ela transforma como as operadoras lidam com riscos, conformidade e complexidade regulatória.
Mas, afinal, o que é segurança da informação? Neste artigo vamos mostrar os riscos mais comuns e as soluções que estão fortalecendo a conformidade das operadoras de forma inteligente.
Entenda o impacto da LGPD na saúde suplementar
Para as operadoras, a LGPD na saúde não é só uma obrigação legal, é um novo eixo de gestão de risco. Os dados sensíveis que circulam entre os sistemas clínicos, financeiros e regulatórios precisam estar sob controle, ou a operadora perde previsibilidade, segurança jurídica e capacidade de resposta.
O problema é que muitos desses dados ainda são tratados sem uma estrutura sólida de compliance. Laudos e prescrições ficam dispersos em sistemas que não se integram, o que compromete a rastreabilidade.
O uso crescente de Big Data também aumenta o risco. Bases populacionais, se mal anonimizadas, podem permitir a reidentificação de pacientes, configurando violação grave da LGPD, mesmo sem intenção.
Na prática, falhas na governança de dados sensíveis não se limitam a penalidades da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Elas pressionam o fluxo de caixa, desgastam a confiança da rede credenciada e colocam em xeque a reputação da operadora com a ANS.
Os principais erros cometidos pelas operadoras na gestão de dados
Esses erros acontecem porque, na prática, muitas operadoras ainda não conseguiram aplicar os princípios da LGPD na saúde à rotina operacional. Confira os principais problemas:
- Falta de transparência no uso de informações clínicas
Em operadoras com grande volume de benefícios, é comum que pacientes descubram, via SAC, que seus exames são usados em negociações contratuais sem seu conhecimento, provocando aumento de demandas no SAC e desgaste com advogados, principalmente quando surgem reclamações formais à ANS.
- Dados sensíveis expostos em fluxos paralelos
Mesmo com sistemas oficiais, muitos dados ainda trafegam por canais alternativos como grupos de WhatsApp ou anotações físicas. Esses fluxos não auditáveis impossibilitam aplicar a LGPD na saúde com consistência e dificultam a contenção em caso de incidente.
- Sistemas desalinhados entre clínico e financeiro
Estudos mostram que, em 2022, cerca de 10% dos itens faturados pelas operadoras acabaram glosados por causa da falta de integração entre autorização clínica e sistema financeiro, levando a retrabalhos caros para reconciliar lançamentos e renegociar contas com prestadores, afetando o fluxo de caixa e a confiança da rede. exigidos pela ANS.
- Falta de rastreabilidade no ciclo de vida do dado
Sem controle claro sobre onde, quando e por quem os dados foram acessados, a operadora perde capacidade de resposta em auditorias, compromete a governança e fragiliza sua defesa em caso de incidente com dados sensíveis.
- Ausência de política de retenção e descarte
Sem regras claras sobre por quanto tempo os dados devem ser mantidos ou como devem ser eliminados, operadoras acumulam volumes desnecessários e vulneráveis, elevando o risco regulatório e expondo a empresa a responsabilizações futuras.
Dados sensíveis: por que exigem atenção redobrada?
No contexto da LGPD na saúde, dados sensíveis não são apenas uma categoria jurídica, são um risco à operação. Informações como tratamento oncológico, uso de antirretrovirais ou histórico psiquiátrico expõem o paciente em seu nível mais íntimo.
Quando acessadas por colaboradores sem justificativa clínica, mesmo que sem má-fé, essas informações podem gerar ações judiciais por danos morais com valores que variam de R$ 1.000 a R$ 500.000 por beneficiário.
O risco também está na camada analítica. Muitas operadoras exportam bases para estudos populacionais sem anonimização adequada. E bastam dados como “sexo + data de nascimento + município” para permitir a reidentificação de um paciente, ferindo a LGPD e podendo ser enquadrado como infração grave.
Além das sanções legais, essas falhas abalam a credibilidade com a ANS. Em casos de vazamento, a agência pode limitar novos contratos, restringir reajustes ou impor auditorias mais rigorosas. O impacto vai além do jurídico, compromete a imagem da operadora diante da rede e dos beneficiários.
Caminhos para fortalecer a conformidade sem perder eficiência
A LGPD na saúde não precisa ser um entrave operacional. Com a estrutura certa, ela se torna um mecanismo de proteção e previsibilidade. Confira os principais caminhos para melhorar a conformidade com a LGPD:
- Centralizar o consentimento de forma digital e integrada: gerar e registrar o consentimento direto no ponto de atendimento, com logs sincronizados em tempo real ao prontuário e ao ERP, evita retrabalho e permite comprovação imediata em auditorias;
- Integrar autorizações clínicas e sistema financeiro: quando um procedimento é autorizado pelo médico, a informação precisa ser refletida automaticamente nos módulos de cobrança. Isso elimina glosas injustas e reduz o tempo de reembolso da rede;
- Anonimizar dados antes do uso em relatórios analíticos: em vez de expor CPF ou nome, utilizar identificadores internos que não permitam a reidentificação, protegendo a operadora de riscos regulatórios ao utilizar dados em estudos populacionais;
- Monitorar e bloquear acessos fora do padrão: um colaborador acessou 30 prontuários em menos de 5 minutos sem justificativa clínica? O sistema precisa bloquear o acesso automaticamente e acionar o DPO, antecipando riscos e qualificando a governança;
- Contar com suporte técnico e jurídico especializado: consultorias com foco em saúde suplementar e normas da ANS ajudam a estruturar processos aderentes à LGPD sem comprometer a produtividade e evitam que a operadora caia em soluções genéricas ou ineficazes.
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